Produção brasileira pode atingir até 186 milhões de toneladas, enquanto discussões sobre SAF e biodiesel e ritmo recorde de esmagamento sustentam o complexo soja

O mercado global de soja atravessa um momento de equilíbrio com a consolidação de uma safra recorde no Brasil, segundo aponta a nova edição do Relatório de Inteligência de Mercado da MerX. De acordo com a análise, há um viés neutro para as próximas semanas e uma perspectiva altista no médio prazo, refletindo o aumento da oferta sul-americana e o ritmo elevado de esmagamento nos principais centros consumidores.

No Brasil, a consolidação da safra recorde avança, com projeções indicando produção próxima de 186 milhões de toneladas, condicionada ao desempenho final das lavouras no Rio Grande do Sul. Se confirmado, o volume representará aumento de quase 13 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Diante desse acréscimo, parte da oferta adicional não deverá ser integralmente absorvida pelo esmagamento doméstico, o que reforça a necessidade de maior direcionamento do produto ao mercado externo.

No cenário internacional, apesar de estoques elevados nos Estados Unidos e da menor presença da China como compradora relevante, o ritmo de esmagamento segue bastante forte. Em dezembro, foi registrado recorde histórico mensal, com 6,5 milhões de toneladas processadas. No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o esmagamento norte-americano totalizou 69,3 milhões de toneladas, volume 9,8% superior ao observado em 2024.

A discussão em torno do Sustainable Aviation Fuel (SAF) e do aumento da mistura de biodiesel permanece aquecida no Congresso dos Estados Unidos. Eventual avanço regulatório nesse sentido pode voltar a estimular o mercado, sobretudo pelo impacto direto na demanda por óleo vegetal.

Na China, o esmagamento encerrou 2025 em 101,4 milhões de toneladas, frente a 96,9 milhões em 2024, crescimento de 4,7% no período. O relatório aponta que a tendência é de manutenção de ritmo firme de compras e processamento nos próximos meses, sustentando a demanda pelo complexo soja.

No mercado de preços, a recente alta no CBOT — impulsionada por notícias sobre possível ampliação das compras chinesas de soja americana — resultou em um ajuste expressivo do basis no mercado local brasileiro. A expectativa para as próximas semanas é de estabilização com viés baixista no basis, condicionada principalmente ao ritmo de comercialização, enquanto o CBOT permanece sensível a novas “headlines” relacionadas à demanda.

De forma geral, o relatório conclui que o mercado permanece equilibrado no curto prazo, mas com perspectiva construtiva no médio prazo, sustentada pelo dinamismo do esmagamento global e pela sensibilidade dos preços a eventuais avanços regulatórios ligados à demanda por óleo vegetal, incluindo SAF e biodiesel.

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