Em reunião na sede da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), nesta quarta-feira (11), o secretário de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente (MMA), Carlos Klink, afirmou que o país precisa discutir a construção de um novo Brasil a partir da iNDC (as metas fixadas pelo Brasil para reduzir as emissões de gases de efeito estufa).

O encontro marcado pela Ubrabio reuniu representantes do Ministério de Relações Exteriores, Ministério de Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC-PR), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

O objetivo foi apresentar os projetos que vêm sendo desenvolvidos para a produção e uso de biocombustíveis de aviação no Brasil e as contribuições que esses projetos podem oferecer à agenda econômica e sustentável brasileira.

“O Brasil tem uma ampla biodiversidade regional que analisamos para compor um quadro de biomassas sustentáveis que servirão de matéria-prima para os combustíveis alternativos de aviação, não só o bioquerosene, como o diesel verde e química verde”, explicou o diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio, Pedro Scorza.

Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul estão trabalhando na construção de plataformas de biocombustíveis de aviação que aliam a produção de biomassa sustentável com tecnologias próprias às características de cada região. Essas iniciativas regionais podem servir de modelo para outros estados e integram uma plataforma brasileira.

A Plataforma Mineira de Bioquerosene, por exemplo, trabalha com o desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba, uma palmeira nativa das regiões tropicais que desempenha também o papel de reflorestamento e auxilia a recuperação de áreas degradas.

Segundo Mike Lu, representante da Ubrabio, a proposta é utilizar a macaúba para recuperar milhares de hectares na região da Bacia do Alto São Francisco (MG), aproveitando o fruto da palmeira como matéria-prima para as biorrefinarias que vão levar ao bioquerosene e os produtos da química verde.

O secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Carlos Klink, explicou o processo de construção das metas brasileiras que serão apresentadas na COP 21, que contou com a participação de diversos ministérios e recebeu contribuições de vários setores da economia.

De acordo com Klink, o país não pode esperar até 2020 para mudar o rumo das políticas ambientais e a iNDC brasileira, diferente de outros países, não condiciona o cumprimento das metas aos investimentos externos.

“Nós estamos dizendo que temos capacidade para cumprir. Os recursos externos poderão acelerar esse processo de transição”, explicou, destacando ainda a necessidade de conjugar produção com proteção.

Segundo o representante da ABDI, Antônio Tafuri, a iNDC brasileira é uma oportunidade para o setor industrial lançar um olhar estratégico para a questão da sustentabilidade “Nós deveríamos fazer força, nos empenhar para definir um novo ciclo de política industrial. Nós temos uma oportunidade sim”, defendeu.

“Quando um setor tem que pensar em longo prazo, a questão do meio ambiente tem que estar casada com a questão operacional e tecnológica. E o que a gente percebe é que o setor privado está caminhando a passos largos e a gente do governo está acompanhando, mas precisa articular mais”, observou a representante da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Ana Paula Machado.

O gerente de Acordos Internacionais da Anac, Alexandre Filizola, destacou também o importante papel que o bioquerosene pode desempenhar neste sentido nos próximos anos. Para Filizola, o bioquerosene deveria estar junto ao etanol e biodiesel no texto da iNDC brasileira.

Biodiesel
O diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, deu o exemplo das contribuições que o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel vem proporcionando na questão ambiental nos últimos anos e que também poderão ser estendidas ao bioquerosene no futuro próximo.

“No caso do biodiesel, em 10 anos do programa, nós deixamos de importar 20 bilhões de litros de diesel, e produzimos 20 bilhões de litros de biodiesel. Isso equivale a 38 milhões de toneladas de CO2 evitadas ou 280 milhões de árvores plantadas equivalentes, isto é, dois milhões de hectares, o que é igual à área do estado de Sergipe.”

Próximos passos
A Ubrabio vai liderar, em maio de 2016, um evento para apresentação de projetos com o objetivo de parametrizar a participação do biodiesel e do bioquerosene nessa agenda que será construída a partir da iNDC, com a participação do Ministério do Meio Ambiente, Embrapa Agroenergia e os demais parceiros do setor.

A intenção é que até maio sejam realizados encontros para consolidação das expectativas tanto do setor de bioquerosene, quanto de biodiesel. Além dos órgãos presentes da reunião desta quarta, a RSB – Roundtable on Sustainable Biomaterials também confirmou sua participação nas próximas reuniões, para contribuir com o debate em torno da sustentabilidade e da certificação


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