Em almoço com o vice-governador de Brasília, Renato Santana, nesta terça-feira (29), representantes da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) e da Embrapa Agroenergia abordaram os benefícios do uso de 20% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil que abastece os ônibus do transporte público da capital.

O biodiesel é um combustível renovável, isento de enxofre, e que reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa e material particulado, entre outros poluentes, em relação ao diesel fóssil. Atualmente, todo o diesel comercializado no Brasil conta com 7% de biodiesel (B7).

A proposta da Ubrabio é que nas regiões metropolitanas os ônibus do transporte público utilizem a mistura de 20%, o chamado B20 Metropolitano. “O uso do B20 ajuda a melhorar a qualidade do ar que a população respira, sem custos adicionais aos usuários, já que o biocombustível é mais barato que o diesel fóssil em quase todas as regiões do país, e todos os veículos movidos a diesel estão aptos a receber a mistura”, explicou vice-presidente de Assuntos Jurídicos da Ubrabio, Julio Valente Junior.

O uso de B20 já é uma realidade nos Estados Unidos, por exemplo, onde cerca de 600 postos oferecem a mistura. Em São Paulo-SP, o Grupo VIP de Transportes, que opera 40% dos ônibus da cidade, utilizou o B20 em dois mil ônibus do transporte público, durante mais de dois anos. O grupo agora pretende ampliar o programa para seis mil veículos da frota.

“O biodiesel é uma pauta positiva de interesse de toda a sociedade. A Ubrabio defende não só uma mobilidade mais eficiente, mas também com combustíveis limpos”, explica o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, ao destacar os impactos da poluição causada pelo uso de combustíveis fósseis na saúde pública.

O chefe adjunto da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, destacou o movimento internacional que defende a diminuição do uso de combustíveis fósseis, para limitar o aquecimento global. “A Embrapa Agroenergia vem desenvolvendo pesquisas na área de bioenergia justamente para atender esta demanda de substituição dos combustíveis fósseis”.

Para o vice-governador, Renato Santana, o projeto tem tudo a ver com a proposta do governador Rodrigo Rollemberg, que tem foco na sustentabilidade em suas ações. Santana se comprometeu a articular a pauta junto à equipe do governo, uma vez que envolve diversos setores, como agricultura, indústria, mobilidade, distribuição e abastecimento, meio ambiente e saúde pública.

“Esta é uma agenda de inovação e positiva e não tem impacto orçamentário para o GDF e nem mesmo para a população”, destacou o administrador de Brasília, Igor Tokarski.

Santana solicitou da Ubrabio mais informações sobre o assunto, considerando extremamente positivo para Brasília, que tem um simbolismo muito forte por ser a capital do País.

Participaram do encontro com o vice-governador, Renato Santana, o chefe adjunto da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, o vice-presidente de Assuntos Jurídicos da Ubrabio, Julio Valente Junior, o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski e o administrador de Brasília, Igor Tokarski.

Bioenergia
Além do biodiesel, o vice-governador também demonstrou grande interesse pelo tema bioenergia e agendou uma visita à Embrapa Agroenergia, ainda esta semana, para conhecer os projetos desenvolvidos pela unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Segundo Santana, o governo tem interesse em acompanhar e fortalecer os programas desse centro de pesquisa. Um desses projetos é o M.O.V.E.R – Meu Óleo Vira Energia Renovável, desenvolvido em parceria pela Embrapa Agroenergia, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e Ubrabio.

O M.O.V.E.R. estimula a coleta de óleo de fritura usado para transformação em biodiesel. Ao ser reciclado, cada litro de óleo deixa de contaminar cerca de 20 mil litros de água.

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