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Planta vai produzir bioquerosene de aviação e diesel verde, usando a cana. Construção e montagem da fábrica deve custar R$ 100 milhões

Mais um passo foi dado ontem para a implantação da primeira biorrefinaria de Pernambuco, que vai produzir bioquerosene de aviação e diesel verde usando a biomassa da cana-de-açúcar. A assinatura de um protocolo de intenções selou a parceria do governo do estado com os parceiros privados e públicos para a elaboração do projeto executivo do empreendimento sustentável. O investimento estimado para a construção e montagem da fábrica é de R$ 100 milhões. Os recursos devem ser levantados juntos aos bancos de fomento, como o BNDES e o Banco do Nordeste. Em contrapartida, o executivo estadual oferecerá a desoneração tributária dos produtos finais (bioquerosene de aviação e diesel verde) adquiridos pelas companhias aéreas e pelas usinas termelétricas a diesel.

A biorrefinaria é batizada como a plataforma pernambucana de bioquerosene e diesel verde. A fábrica tem como foco principal a produção de combustível limpo para abastecer os aviões com destino à Ilha de Fernando de Noronha. A ilha deverá contar com uma base de abastecimento de combustível verde de aviação. A matéria-prima inicial será o bagaço da cana-de-açúcar das usinas, mas poderão ser utilizadas outras plantas oleaginosas (catolé, licuri, ouricuri, macaíba etc), cuja produção deverá ser incentivada junto aos agricultores familiares e pequenos produtores do Sertão.

O projeto da biorrefinaria multiprocesso e multimatéria-prima envolve 25 parceiros do governo do estado, entre eles, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES, Banco do Nordeste, UFPE, UFRPE, Sudene, Azul Linhas Aéreas, Sindaçúcar, Infraero, Embrapa, Cetene e Refinaria Abreu e Lima. A partir da assinatura do protocolo de intenções será criado um grupo de trabalho para formatar o projeto executivo da fábrica de biocombustível. “Precisamos do projeto executivo para visualizar o custo real do investimento e estabelecer o cronograma de ações”, diz Carlos André Cavalcanti, secretário-executivo de Meio-Ambiente do estado.

O empreendimento deverá ser instalado no Porto de Suape para facilitar a logística de distribuição do bioquerosene de aviação até o Aeroporto Internacional dos Guararapes. Uma das possibilidades em estudo é a incorporação da fábrica sustententável à plataforma de produção da Refinaria Abreu e Lima. Segundo o secretário, o projeto prevê a construção de um oleoduto para transportar o combustível direto de Suape para as aeronaves.

“O transporte do combustível através dos dutos reduz os custos de logística. Além disso, Pernambuco terá o primeiro aeroporto verde da América do Sul em operações regulares abastecidas com o bioquerosene de aviação.” A expectativa é que no período de um ano o projeto executivo esteja pronto para iniciar a captação de recursos.

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