A locomotiva verde aproveita potencial brasileiro de fonte de energia limpa

A tendência inovadora mundial de movimentar trens com biocombustíveis deu um passo importante no Brasil: após uma série de testes desenvolvidos em suas locomotivas produzidas na fábrica de Contagem (MG), a GE Transportation concluiu seu programa de validação do uso de biodiesel, que agora poderá ser o combustível utilizado em suas máquinas. Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o que contribui para a proteção do meio ambiente, o biocombustível gera economia de recursos – uma boa notícia, considerando que aproximadamente um terço das despesas das empresas de linhas férreas se relaciona a custos operacionais e de combustíveis.

As perspectivas são animadoras: atualmente o biocombustível é a terceira maior fonte de energia do Brasil e pode passar ao segundo lugar já em 2020. E, com o tempo, pode ganhar escala suficiente para superar o petróleo do ponto de vista econômico. Isso porque proporciona maior autonomia ao modal ferroviário, reduzindo a necessidade de importação de combustível. A legislação brasileira já obriga, desde julho, que o diesel derivado do petróleo venha com 6% de biodiesel (chamado de B6 pela porcentagem da mistura). E em novembro esse porcentual deverá chegar a 7%. Com a ampliação do uso do biodiesel, o país deixará de importar 1,2 bilhão de litros de óleo diesel por ano, segundo cálculos do Ministério das Minas e Energia.

Do ponto de vista ambiental, quando atingirmos 10% do combustível misturado (B10), a redução de hidrocarbonetos pode chegar a 10%, o que representa 12,5 mil toneladas a menos na atmosfera. E a redução poderá ser de 25 mil toneladas quando a mistura chegar a 20%.

O potencial para o uso de biocombustíveis tem muito espaço para crescer: estudo do Renewable Energy Police Network 21, entidade sediada na França que congrega empresas, universidades e órgãos governamentais dedicados ao estudo das energias renováveis, revela que atualmente os biocombustíveis são responsáveis por suprir apenas 2,3% da demanda mundial do setor de transportes. E a inovação extrapola os sistemas convencionais: pesquisadores do Georgia Institute of Technology, por exemplo, desenvolvem um biocombustível de alta energia, capaz de substituir, no futuro, os caríssimos combustíveis para mísseis e foguetes, com sua química elaborada a partir do pineno, material encontrado em óleos essenciais de árvores como os pinheiros. Literalmente, o céu é o limite.
 

Gás natural e biodiesel: novos combustíveis para as locomotivas

Gás natural e biodiesel tendem a ganhar espaço na indústria ferroviária

O uso exclusivo de diesel como combustível para locomotivas de carga está dando lugar a outras fontes de energia, mais limpas e baratas. Entre elas destaca-se o gás natural liquefeito. Segundo um relatório divulgado este ano pela Energy Information Administration (EIA), do governo dos Estados Unidos, “o grande potencial de economia de custos com a transição do diesel para o gás natural desperta o interesse prioritário na indústria ferroviária e entre observadores e analistas”. Há quem acredite que essa mudança será equivalente à ocorrida durante os anos 1940 e 1950, quando o diesel expulsou do cenário as locomotivas a vapor.

Segundo o economista Nicholas Chase, da EIA, a redução de custos será de US$ 1,5 milhão por locomotiva, uma quantia muito vantajosa, mesmo considerando-se que cada máquina custará US$ 1 milhão a mais do que as locomotivas a diesel. No Brasil, a GE Transportation vem desenvolvendo testes para o uso de gás natural em suas locomotivas. Paralelamente, a partir deste ano, todas as locomotivas produzidas pela empresa no Brasil já estão aptas a operar com até 25% de biodiesel.

O transporte ferroviário, entre os de carga, já é o meio terrestre que menos consome combustível. E o biodiesel é a terceira maior fonte de energia no Brasil, reduzindo a necessidade de importação de combustível. Segundo previsões, até 2020 passará a ser a segunda fonte mais importante no país – tanto por seu impacto na redução de emissões de gases de efeito estufa quanto pela provável redução de custos aos clientes que utilizam o transporte ferroviário de cargas.


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