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Até o próximo domingo (19) acontece em todo o Brasil a 11ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNTC), evento que este ano apresenta atividades lúdicas, palestras e mostras científicas para dialogar com a sociedade sobre o tema “Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social”. Em Brasília, quem visitar o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade terá a oportunidade conhecer o projeto M.O.V.E.R. – Meu Óleo Vira Energia Renovável, uma ação desenvolvida pela Embrapa Agronergia, Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) e Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), para estimular a coleta do óleo de fritura usado no DF e transformá-lo em biodiesel, um biocombustível limpo e renovável.

Na SNTC 2014, o projeto M.O.V.E.R. está instalado no estande da Embrapa e faz parte da exposição interativa “Cientista por um dia”, onde crianças, jovens e adultos são convidados a participar da produção do biodiesel e conhecer suas principais matérias-primas.

O diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, explica como funciona o M.O.V.E.R. e destaca a importância da participação da sociedade na reciclagem do óleo residual e seu aproveitamento para a geração de energia limpa.

Como é a atuação da Ubrabio no projeto M.O.V.E.R.?

Diretor superintendente da Ubrabio, Donizete TokarskiDonizete Tokarski: A participação da Ubrabio no projeto M.O.V.E.R., juntamente com a Caesb e a Embrapa Agroenergia, promove uma articulação entre pesquisa, saneamento e entidade representativa do setor para mostrar à sociedade que é fundamental a reutilização do óleo residual para evitar passivos ambientais que custam caro ao cidadão, em função do despejo inadequado desse material na rede de tratamento de esgoto. Dessa forma, a Ubrabio atua na articulação com os órgãos, visando o fortalecimento desse processo nas demais regiões brasileiras. Aqui em Brasília nós estamos fazendo isso de uma maneira ainda pequena diante do desafio que temos pela frente.
No Brasil, a quantidade de óleo coletado ainda é muito insignificante diante de toda a potencialidade que temos. Nós aproveitamos apenas 1% dos óleos residuais na produção do biodiesel. Nos Estados Unidos, essa quantidade chega a cerca de 10% a 12% de todo o biodiesel produzido, e nós devemos considerar que a quantidade de biodiesel que os EUA produzem é praticamente o dobro da quantidade de biodiesel produzida no Brasil.
Temos muito para avançar no processo de coleta, promovendo a educação ambiental, fazendo com que a sociedade perceba os riscos que estão agregados à destinação inadequada dos óleos residuais e, também, mostrando que todos nós, cidadãos, temos a responsabilidade de participar desse processo.

Qual a importância socioambiental e econômica do Projeto?

DT: Quando o óleo residual é lançado no ralo da pia de uma residência, são causados danos não somente àquela casa, mas a toda comunidade e toda a sociedade. A Caesb relata que há um custo anual significativo para o tratamento e a manutenção dos esgotos em função do entupimento provocado pelo óleo residual que, juntamente com outros dejetos lançados também de maneira inadequada, se transforma em uma rocha que entope o processo de coleta de esgoto. Isso provoca a interrupção de vias públicas e maior uso de máquinas e equipamentos para fazer a limpeza das tubulações. Quem acaba pagando essa conta é a sociedade, pois isso reflete um custo maior ao bolso do cidadão.
Somos todos nós na nossa conta de água quando chega a cobrança do tratamento da água e do esgoto. Então esse projeto tem o cunho não só do ponto de vista econômico – na reutilização do óleo residual para produzir biodiesel – e ambiental – porque evita a poluição –, mas também social, em função dos custos com que a sociedade arca pela falta de mobilização para a redução do lançamento de óleos residuais no sistema de esgoto.

Como funciona o M.O.V.E.R. nas escolas?

DT: Nas escolas o projeto sensibiliza professores e alunos para que sejam interlocutores dessa ação de conscientização junto a seus familiares. Além disso, a partir das demonstrações das aulas e palestras que são realizadas, o estudante pode perceber novas carreiras que poderá seguir no futuro, tanto na academia, do ponto de vista da formação em pesquisa, como em tornar-se um engenheiro químico voltado a indústria da produção de biocombustíveis.
Essarelação com a escola é no sentido de educar a sociedade e promover um envolvimento de todos com a produção e o uso de um combustível limpo, para que a gente possa promover de forma sistemática o aumento da mistura de biodiesel ao óleo diesel fóssil.
Quando a Ubrabio vai a uma escola, não estamos somente promovendo uma educação ambiental do ponto de vista do lançamento do óleo residual no esgoto, mas estamos demonstrando aos alunos e aos envolvidos, as diversas oportunidades que existem na indústria do biocombustível, desde o campo até a produção industrial e, consequentemente, a logística desse processo todo. Ao entender o que é um combustível limpo, o estudante também poderá fazer uma comparação entre o biodiesel – o combustível limpo, e o combustível comum, analisando todas as consequências do uso do combustível fóssil.
O uso do óleo residual e a parceria com a Embrapa e a Caesb na formação dos alunos têm um quadro extremamente importante, que pode mudar a vida de centenas de pessoas nesse campo da pesquisa, onde há uma necessidade cada vez maior de desenvolvermos jovens interessados. O Brasil precisa muito da inovação tecnológica, do desenvolvimento da pesquisa.
Nosso país tem um potencial de biodiversidade enorme. São mais de 60 plantas que podem ser adaptadas à produção de biodiesel, e a gente ainda deve muito nesse ramo da pesquisa para melhorar a aptidão dessas plantas e, consequentemente sua produção para a fabricação de biodiesel. Ou seja, nós temos que mostrar à sociedade que o biodiesel tem diversas fontes e uma delas é o óleo residual.

O que significa a participação do M.O.V.E.R. na SNCT?

DT: É exatamente isso que o projeto na SNTC demonstra, ao ser divulgado para estudantes e professores – a maior parte dos frequentadores dessa Semana que está sendo realizada no pavilhão do Parque da Cidade são estudantes e professores. Não é somente aquela passagem de alguns minutos ali no estande, onde eles podem perceber as diversas matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel e produzir o biocombustível, mas é fazer com que as escolas criem laços de relacionamentos com a própria Caesb e com o centro de pesquisa da Embrapa Agroenergia, buscando mais engajamento das escolas com o M.O.V.E.R. e, consequentemente, ampliando o número de estudantes que podem participar das atividades desse projeto.