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A ligação entre o arquipélago de Fernando de Noronha e Recife (PE) feita pela companhia aérea Gol deve ser a primeira do país a contar com um voo comercial fixo feito com biocombustível. A expectativa é que isso ocorra antes do fim deste ano.

Fabricantes de aviões, companhias aéreas e produtoras de combustível também apostam que, até 2016, outras rotas comerciais passem a adotar biocombustíveis, e que o Brasil, assim, se torne o primeiro país a explorar opções menos poluentes em grande escala.

Acontecimentos recentes justificam as previsões do setor. A Amyris, empresa de biotecnologia industrial, e a Total, fornecedora de energia, acabaram de obter uma certificação internacional para um bioquerosene feito a partir da cana-de-açúcar, que pode ser adicionado na proporção de até 10% ao querosene de aviação fóssil, o tradicional.

Para que o produto seja comercializado, ainda falta uma normatização específica da Agência Brasileira de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a ANP, ela será dada até outubro.

“A primeira rota regular que vemos que tem potencial para ser feita com biocombustível é entre Recife e Fernando de Noronha. É um objetivo que temos para este ano ainda”, diz o diretor técnico operacional da Gol, Pedro Scorza.

A empresa conta com o apoio do programa Noronha Carbono Neutro, do governo do Estado de Pernambuco, que tem por objetivo reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) na ilha.

Setor é um dos mais poluentes do mundo

A aviação, hoje, é responsável por 2% das emissões de gases de efeito estufa no mundo todo. Parece pouco, mas é o suficiente para colocar esse setor entre os mais poluentes, principalmente considerando-se que ele cresce de 8% a 10% ao ano.

Com o objetivo de diminuir essas emissões, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês) determinou uma série de metas ambientais para o setor em 2010. Até 2020, as empresas precisam estabilizar as emissões de CO2 na atmosfera. De 2020 até 2050, precisam diminuir em 50% o nível das emissões, usando-se como referência o ano de 2005.

O investimento em tecnologia e a melhoria da infraestrutura dos aeroportos devem ajudar as empresas a cumprir parte das metas, mas será preciso, também, usar combustíveis menos poluentes, que podem ser feitos com várias matérias-primas diferentes, como cana, soja e óleo de cozinha reciclado.

Segundo Frédéric Eychenne, gerente do programa de novas energias da Airbus, o uso do biocombustível reduz em até 80% as emissões de CO2.

“Para um futuro próximo, a aviação não tem outra opção a não ser encontrar uma alternativa sustentável que possa ser produzida em escalas comerciais sem competir com culturas alimentares”, afirma Eychenne. Em seus testes, a Airbus já fez mais de 1.500 voos comerciais pelo mundo usando combustível alternativo.