Com o primeiro voo comercial brasileiro utilizando bioquerosene, em outubro do ano passado, os biocombustíveis já são uma realidade na aviação nacional. Enquanto são estudadas políticas públicas para seu desenvolvimento, o desafio é possibilitar nos próximos anos que um ganho de escala garanta um custo equivalente ou mais baixo que o de combustíveis de origem fóssil.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), os gastos com combustíveis representam quase metade do custo total das passagens aéreas. Os ganhos para o meio ambiente, porém, podem ser ainda mais altos. Com o biocombustível, há a possibilidade de se reduzir as emissões de gases do efeito estufa do setor aéreo em até 80%.

No voo inaugural, um avião da Gol partiu do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para o Juscelino Kubitscheck, em Brasília, e utilizou combustível processado a partir de uma mistura de óleos vegetais que incluiu óleo de milho e de cozinha reutilizado. A adoção da tecnologia, desenvolvida pela empresa norte-americana Amyris, não exige alterações significativas nos aviões. “Utilizar bioquerosene é uma mudança de paradigma, mas temos uma grande vantagem. Diferentemente do que acontece com os carros e outros veículos, as tecnologias que estão em desenvolvimento para as aeronaves não pedem adaptação do equipamento”, afirma Eduardo Sanovicz, presidente da ABEAR.

As pesquisas na área estão avançadas. Além de óleos vegetais, os combustíveis sintéticos podem ser produzidos a partir de açúcares e amidos, celulose, lixo e rejeitos. Há ainda estudos promissores com algas oriundas de esgotos. Estes organismos, após serem usados para absorver matéria orgânica nas estações de tratamento, podem ser posteriormente processados para a produção de bioquerosene.

Reduzir as emissões na aviação civil é um compromisso mundial, celebrado pelo ATAG (Air Transport Action Group, ou Grupo de Ação do transporte Aéreo, na tradução para o português), que tem como meta reduzir as taxas de emissões de gases efeito estufa em 1,5% ao ano até 2020. Antes do voo de outubro, empresas brasileiras como TAM, Azul e Gol fizeram voos experimentais com o bioquerosene, mas sem passageiros nos seus aparelhos.


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