As exportações argentinas de biodiesel caíram 55,2% em volume em dezembro, em comparação com o mesmo mês em 2011. A brutal queda de vendas, divulgada nesta quinta-feira pelo instituto oficial de estatísticas, o Indec, se concentrou a partir de setembro do ano passado e não transparece no balanço anual das vendas externas do produto.

De acordo com o Indec, em 2012 a Argentina exportou 1,5 milhão de toneladas de biodiesel por US$ 1,84 bilhão, uma redução de 7,4% em volume e 11,5% em valor. Em dezembro foram vendidas apenas 80,6 mil toneladas para o mercado externo, ante 180 mil um ano antes.

Segundo Mauricio Claveri, analista de comércio exterior da empresa de consultoria Abeceb, o resultado está diretamente relacionado a dois fatores: o aumento da tributação feita pelo governo argentino e a queda de preço no mercado internacional. “O biodiesel está com preço quase inferior ao óleo de soja, que é seu principal insumo”, afirmou.

Metade das exportações argentinas de biodiesel são feitas para a Espanha, que redistribui a compra para os demais países da Europa. Já o mercado de óleo de soja se direciona com mais força para a China, que absorve 60% das vendas argentinas. A demanda pelo biodiesel, produto de maior valor agregado, está desaquecida.

Em agosto o governo aumentou o imposto sobre exportação do biodiesel de 18% para 24%, mantendo a alíquota para o óleo de soja em 32%. O diferencial de tributação era um estímulo criado pelo governo argentino para incentivar a indústria de biodiesel no país.

Como mais da metade da produção de biodiesel é destinada para o mercado externo, o desestímulo à exportação também começa a reduzir a produção. No acumulado de 2012, a produção ficou estável, no patamar de 2,4 milhões de toneladas. Mas em dezembro a queda foi de 38%, com a produção caindo de 217 mil para 135 mil toneladas.


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