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O óleo de palma, mais conhecido como dendê, é a oleaginosa mais produzida e consumida no mundo. O Brasil, contudo, é deficitário na produção e necessita importar o produto, mas o panorama deve mudar nos próximos anos, devido ao potencial nacional para o cultivo e produção do biodisel. “Temos uma expectativa de expansão muito grande. Nós temos uma área de 30 milhões de hectares, no mínimo, pronta para o plantio da palma”, afirma o coordenador de Biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), André Machado.

E para promover essa expansão o objetivo é alcançar o máximo de esferas envolvidas na produção, fomento e disseminação de conhecimentos relacionados à cultura da palma de óleo. Com essa finalidade, o MDA e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), promovem o I Workshop do Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo no Brasil: Agricultura Familiar e Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação. O seminário ocorre entre os dias 26 e 28 de fevereiro, em Belém (PA).

Segundo André, o Brasil precisa dar maior atenção ao plantio do óleo de dendê, de fácil cultivo em terras nacionais. “O pacote de produção do plantio da palma de óleo está consolidado. Existe um manual e qualquer um pode plantar. Além disso, tem uma pesquisa avançada sobre o dendê na Embrapa”, conta o coordenador.

O evento tem como público-alvo: profissionais de instituições públicas, privadas e de federações, técnicos de extensão e assistência rural (Ater), produtores e agricultores de palma de óleo.

Ainda de acordo com André, o Brasil necessita de uma maior produção do óleo. “É o mais usado no mundo. Macarrão, feijão, arroz… Se você olhar nos ingredientes do produto vai estar lá ‘óleo vegetal’. Se não estiver especificado qual óleo foi, com certeza é o de palma”, conclui.

Colaboração

Quem mais produz palma de óleo no Brasil é a agricultura familiar e um dos colaboradores é Pedro Bernardo Júnior, 27 anos. Paraense de Bujaru, Pedro dedica 10 hectares do Sítio Guimarães, de sua propriedade, ao cultivo da oleaginosa. “Nós estamos produzindo uma média mensal de três toneladas. Isso porque a gente só colhe duas vezes por mês. Mas eu já deixei um espaço reservado para poder plantar mais palma de óleo.”

Pedro recebe assistência técnica da Biopalma, empresa da Vale que também compra os frutos. Pedro endossa o coro de André Machado e acredita que a cultura ainda vai ser grande no Brasil. “A tendência é aumentar. Nós estamos em período de entressafra e o período de safra deve chegar nos próximos meses. Aí deve melhorar bastante o quanto vamos produzir. Além disso, os vizinhos aqui também estão começando a plantar”, avalia.

Pronaf Eco e Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel

Os agricultores familiares podem acessar o crédito para a produção de palma para biodiesel e para outras finalidades, como as indústrias alimentícia e cosmética. Para isso, contam com o Pronaf Eco – linha especial do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – que assegura juros de 2% ao ano, pagamento em até 14 anos e carência de seis anos.

“A palma é uma cultura que tem um potencial de produção de óleo enorme, cerca de quatro mil litros por hectare plantado. Portanto, está dentro da pauta do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que é a diversificação de cultura”, ressalta André Machado. “As empresas estão trabalhando de acordo com as regras do Selo Combustível Social. Estão fazendo contrato prévio de compra e venda e garantindo assistência técnica aos agricultores. O diferencial desses contratos é que existe uma linha de crédito de investimento criada pelo MDA que financia a cultura”, explica o coordenador.