O evento reúne pesquisadores, empresário, sociólogos, especialistas e universitários interessados na temática de bioenergia e sustentabilidade, para discutir a viabilidade da produção de algas para biocombustíveis.

   O evento fez parte das comemorações do 5º aniversário da Ubrabio e do 6º ano de Embrapa Agroenergia, comemorados em maio. Abriram o workshop, o presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Diego Férrez, o presidente da entidade, Odacir Klein, Manoel Souza, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, e o coordenador técnico do evento, professor Donato Aranda.

   O professor e coordenador técnico do evento, Donato Aranda, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu início aos trabalhos da mesa de debates afirmando que o interesse pela produção de microalgas tem aumentado mundo a fora. “Há dois meses participei de um evento na Itália e percebi que já existem grupos de estudo em universidades e outras instituições de pesquisas investindo nesta matéria-prima”, citou.
 

Cristina Machado, engenheira química e pesquisadora da Embrapa Agroenergia também compôs a mesa e afirmou que já existem estudos sobre microalgas desde a década de 60. “As algas têm grande vantagem, pois podem produzir vários tipos de biocombustíveis, apesar de Biodiesel ser o mais falado e com maior potencial. Quanto é o custo de oportunidade e a sustentabilidade é o que deve ser levado em consideração para se produzir biocombustível com essa matéria-prima”, disse. E reiterou: “Nas usinas, hoje, o custo ainda é alto”.

Ambos os palestrantes destacaram as vantagens: o gasto de água é menor se o comparado ao  cultivo de plantas terrestres; apresenta maior eficiência fotossintética; tem colheita o ano inteiro e seu cultivo pode ser realizado em condições insalubres (como água de esgoto, salinas, entre outros).

Donato salientou, também, que é importante levar em consideração os coprodutos gerados a partir das algas, como óleo, ração animal e cosméticos.

Cristina finalizou sua palestra destacando que, apesar de possível, ainda é preciso fazer estudos intensificados para que a produção de biocombustível se torne viável. “O balanço energético e sustentabilidade são de grande importância, e estes deverão ser avaliados com grande cuidado”, disse.

 
 
 A importância do evento
 

“Organizamos o evento com objetivo de reunir instituições e o setor empresarial para fazer um diagnóstico do que está acontecendo, além de alavancar e os trabalhos e pesquisas”, disse o presidente da Ubrabio, Odacir Klein. Segundo Klein, se o programa de Biodiesel tem sucesso hoje, é, principalmente, por causa da ousadia empresarial. “A Ubrabio foi criada pela necessidade de se ter uma instituição que fosse o elo do setor do Biodiesel. E o sucesso tem sido alcançado graças aos empresários, que arriscaram nesta área. A instituição tem incentivado a diversificação de matérias-primas para fortalecimento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB)”, reforçou o presidente do Conselho Superior da entidade, Diego Férrez.

 
Odacir Klein, ainda destacou a necessidade pela frequenta atualização. “Precisamos estar sempre renovando. Nós da Ubrabio alteramos nosso estatuto para agregar os bioquerosenes, por exemplo. A Embrapa Agroenergia já demostrou com os resultados até agora conquistados, inaugurando modernos laboratórios. E temos que acompanhar essa modernidade”, destacou.

 
Já Manoel Souza disse que a Embrapa busca o diálogo dinâmico e próximo com outras instituições públicas e a iniciativa privada para identificar os gargalos e assim propor soluções que permitam o avanço dos resultados. “Este evento é a consolidação disso. Nossos próximos desafios nesta parceria com a Ubrabio são projetos que tragam ainda mais resultados”, acrescentou Manoel.

 


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