No Brasil e no mundo, a demanda por sistemas energéticos que se enquadrem às metas estabelecidas pelo Protocolo de Quioto tem gerado a necessidade de substituição dos combustíveis fósseis, maiores geradores de gases de efeito estufa, por fontes derivadas da energia da biomassa. Por se tratar de uma fonte renovável e por seu uso sustentável reduzir consideravelmente os danos ao meio ambiente, a utilização do Biodiesel tem sido largamente investigada para o uso em programas de energia renovável.

O Biodiesel é um substituto natural do Diesel de petróleo, que pode ser produzido a partir de fontes renováveis como (1) óleos vegetais, (2) gorduras animais e (3) óleos e gorduras residuais oriundos de diferentes processos. O Biodiesel pode ser utilizado puro ou em diferentes proporções de misturas com o Diesel. Quimicamente, o Biodiesel é constituído por uma mistura de ésteres alquílicos de ácidos graxos, obtidos da reação química de transesterificação de qualquer triglicerídeo (óleos de soja, mamona, palma, colza, pinhão-manso, babaçu, nabo-forrageiro, girassol, e óleos de fritura ou gorduras animais) com um álcool de cadeia curta, como o metanol ou etanol (MIRAGAYA, 2005).

Foi lançado em dezembro de 2004 o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), com o desafio de implantar um projeto energético auto-sustentável, garantindo o suprimento, preço e qualidade do biodiesel, aliados à geração de renda no campo e inclusão social. Em 2005, houve o marco regulatório do PNPB estabeleceu um percentual inicial facultativo de utilização de Biodiesel em mistura ao Diesel de 2% (B2). Já em 2008, o B2 passou a ser obrigatório, o que gerou uma demanda interna de 800 milhões de litros/ano. Atualmente a produção de biodiesel alcança o volume de 870 milhões de litros, o que já supera a meta para a utilização do B2. O planejamento para o ano de 2013 será a adição obrigatória de 5% de Biodiesel (B5), com produção estimada de 2,40 bilhões de litros/ano (PORTAL DO BIODIESEL, 2012).

Projeções têm apontado o Brasil como o país de maiores potencialidades na produção de óleo vegetal para o Biodiesel. Com cerca de 150 milhões de hectares disponíveis para a agricultura e capacidade para irrigar mais de 50 milhões, o Brasil irá despontar como o grande produtor de energia de Biomassa do planeta. Estima-se que a área plantada necessária para atender ao percentual B2 deverá ser de 1,5 milhões de hectares, o que equivale a 1% das terras agricultáveis do país (MIRAGAYA, 2005).

O Biodiesel entra em um mercado em que a produção de petróleo mundial é cerca de trinta vezes maior do que a produção de óleos e gorduras. A produção mundial de biocombustíveis apresenta enfoques diferenciados ao redor do mundo. Enquanto o Brasil apresenta uma matriz de produção voltada para a inclusão social, gerando emprego e renda no campo, os EUA apresentam uma plataforma diferenciada, baseada em uma visão estratégica de menor dependência dos países produtores de petróleo no oriente médio. A União Européia atualmente lidera o mercado da produção mundial de biodiesel, apesar da relativa escassez de terras agricultáveis, projetando o seu mercado para a adição de 8% de biocombustíveis até 2020, com um enfoque estritamente ambiental. No Brasil e no mundo a competitividade do mercado de Biodiesel depende estritamente da desoneração tributária do produto, uma vez que os custos de produção são superiores em relação ao Diesel. Estima-se que dos custos de produção, 80% estejam associados à produção de matéria-prima. As principais estratégias para o estabelecimento do mercado de biodiesel no país são, além da tributação seletiva, as adoções de mistura compulsória, a sustentação de compras por leilões do governo e o nascimento do mercado de exportação de biodiesel, principalmente voltado para a  União Européia (ABIOVE, 2006).

No Brasil, diversas iniciativas voltadas ao desenvolvimento de tecnologia para a produção do Biodiesel estão em curso. Destaca-se a Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel, coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, no âmbito do PNPB, com atuação em nível nacional. A Rede Brasileira trabalha em parceria com 22 estados da Federação, articulando os esforços e adequando a realidade e as vocações de cada região (PORTAL DO BIODIESEL, 2012). Objetiva-se com este mega-projeto fortificar a rede acadêmica de pesquisa e desenvolvimento tecnológico de produção do biodiesel, atuando em todas as fases da cadeia produtiva. São abordados aspectos tecnológicos, desde a produção de matéria-prima, até o aproveitamento da glicerina como sub-produto da produção do biodiesel.

Fonte: Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido


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