Uma audiência pública discutiu nesta quinta-feira (16/02) a minuta de resolução que altera as especificações do biodiesel. A proposta da ANP atende pontos importantes propostos pela Ubrabio, tornando mais rigorosa a questão da qualidade. “A Ubrabio é uma entidade obcecada por qualidade e por isso nós apoiamos a minuta que é mais exigente neste aspecto e deve aprimorar a qualidade em todos os elos da cadeia”, afirmou o presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés.

 

O evento aconteceu na sede na ANP, no Rio de Janeiro, e contou com a participação do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, Jerônimo Goergen. “O evento e a posição da ANP em relação à qualidade do produto consolidam a possibilidade de um novo marco regulatório, o que dará mais segurança a toda cadeia e, consequentemente, aos consumidores que se beneficiarão com biodiesel de padrões internacionais”, afirmou durante o encontro que discutiu os aspectos técnicos da minuta elaborada pela ANP.

 

Um dos pontos sugeridos pela Ubrabio e acatados pela minuta trata da questão da umidade do Biodiesel. Segundo a proposta, o teor de água no biocombustível passará de 500 ppm (partes por milhão) para 350 ppm, chegando a 200 ppm em 2013, com o S10. Com isso, a probabilidade de contaminação microbiana do Biodiesel torna-se muito reduzida.

Outra contribuição da Ubrabio é a questão da estabilidade para oxidação. Hoje estabelecida em seis horas, é medida apenas no produtor. Com a proposta da entidade contemplada na minuta de resolução, a aferição passará a ser executada ao longo de toda a cadeia, garantindo mais qualidade ao produto até seu consumidor final.

Entre os pontos mais relevantes está ainda o ponto de entupimento do filtro a frio. Antes estipulado em 19ºC, agora, seguindo proposição da Ubrabio, passa a ter uma tabela regional e sazonal, fundamental a um país de dimensões continentais como o Brasil. A diferenciação das temperaturas de acordo com as necessidades de cada região e época do ano vai evitar o “congelamento” do biodiesel e o consequente entupimento dos filtros.

“Essas alterações na regulamentação vão exigir mudanças nas fábricas, mas a Ubrabio está disposta a pagar esse preço em nome da qualidade e confiabilidade cada vez maior do biodiesel”, afirma o consultor técnico da Ubrabio, PhD em qualidade, professor Donato Aranda.

Estas são as propostas da Ubrabio em curto prazo. Já em médio prazo, a entidade defende um programa de qualidade com a certificação das empresas produtoras de biodiesel. 

Mas a qualidade do biodiesel já é bastante confiável. Ainda segundo o professor Donato, estudos desenvolvidos pela Petrobrás (em São Paulo) e pelo Instituto Nacional de Tecnologia (no Rio Grande do Sul e Paraná), que monitorou centenas de amostras de biodiesel em todos os elos da cadeia, não encontrou problema algum com o biocombustível, especialmente no que diz respeito às borras. Os resultados desses monitoramentos foram divulgados durante as reuniões do grupo de trabalho (GT3) da ANP, da qual a Ubrabio é membro oficial.

Para o professor, hoje, a qualidade do Biodiesel não é melhor e nem pior que a dos demais combustíveis e a metodologia e resultados desses monitoramentos comprovam isso e não foram questionados por nenhum dos participantes do grupo.

Biodiesel Premium – A Ubrabio defende ainda o desenvolvimento de uma especificação de biodiesel destilado (de alto grau de pureza) para usos específicos em frotas cativas B100.

Além disso, a entidade pede a adoção de parâmetros mais objetivos  acerca da coloração do biodiesel provenientes das diversas matérias-primas. Sobre este ponto, o diretor da ANP, Helder Queiroz, já afirmou que um grupo de trabalho vai especificar os níveis de coloração e isto será posteriormente incorporado à nova resolução.

 

Por Comunicação Social – Ubrabio


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