Quem pensa em multinacionais não pensa necessariamente em empresas sustentáveis e ambientalmente corretas. A imagem mais comum é de chaminés fumegantes, embalagens de plástico, produtos químicos, oleodutos com vazamento. Mas as multinacionais holandesas estão cada vez mais preocupadas com o meio ambiente. Elas chegaram à conclusão que empreendimentos sustentáveis também podem ser bastante lucrativos.

As empresas DSM, FrieslandCampina, Akzo Nobel, Heineken, Philips, KLM, Unilever e Shell vão unir forças sob o nome Dutch Growth Coalition. Elas querem compartilhar seus conhecimentos sobre produtos sustentáveis como biocombustível, plásticos biodegradáveis, tintas ecológicas e melhores métodos de produção para estimular outras empresas a também optar por trabalhar de maneira sustentável.

Dutch Growth Coalition
Frits de Groot é o porta-voz da Dutch Growth Coalition. Segundo ele, as empresas têm que optar pela produção sustentável se quiserem continuar a crescer. Isso se aplica a empresas holandesas, mas também a empresas estrangeiras. Pelo menos, se não quiserem perder a preferência do consumidor.

“Vê-se um aumento enorme na Europa ocidental. Uma empresa, na verdade, recebe sua ‘licença para operar e produzir’ da própria sociedade. Se você faz coisas que não são sustentáveis, corre o risco de que isso não caia bem com os consumidores. A expectativa dessas empresas é que a tendência se espalhe pelo resto do mundo. Além disso, elas veem que com estes novos produtos podem conquistar um mercado maior. Sustentabilidade e crescimento andam bem juntos.”

Shell

Marjan Minnesma é diretora da Urgenda, uma organização holandesa que promove a sustentabilidade. Ela está contente com a iniciativa das multinacionais holandesas. “Algumas destas empresas estão bastante avançadas nisso. A Unilever, por exemplo, está pesquisando em toda a indústria como usar menos energia e trabalhar mais em ciclos.”

Mas os nomes da KLM e Shell provocam reação de suspeita. Elas aparentemente não se encaixam numa lista de empresas sustentáveis. Por enquanto, ainda não é possível voar usando apenas biocombustível. Viajantes também não são estimulados a usar os trens na Europa. E a Shell, segundo Minnesma, certamente não é nenhum exemplo: a gigante do petróleo faz algumas pesquisas, mas descarta a energia solar e eólica.

“A Shell trabalha com combustível fóssil e promove isso tanto quanto possível. Como o petróleo barato está se esgotando, a empresa passa a explorar novas formas de petróleo do solo em lugares difíceis, como os pólos ou outros lugares onde provoca muita poluição. Com esta empresa a coalizão se torna um pouco instável. Eu nunca poria a Shell numa coalizão assim.”

Precursoras
No exterior, as multinacionais holandesas são conhecidas como precursoras na área de empreendimentos sustentáveis. No índex Dow Jones de sustentabilidade, quatro das participantes da coalizão aparecem com destaque. Segundo o International Business Report da empresa de consultoria Grant Thornton, apenas os pequenos e médios empresários holandeses ficam para trás. A iniciativa da coalizão de empresas também tem um bom efeito para eles, acredita Frits de Groot, pois grandes empresas que fazem negócios com empresas pequenas podem fazer exigências sobre os produtos e processos de produção.

“Então você também pode ser fornecedor e ser estimulado pela sustentabilidade das multinacionais. E por outro lado, vemos que muitas inovações são criadas por empresas pequenas e depois assimiladas por empresas grandes que as desenvolvem.”

Segundo Marjan Minnesma, pequenas empresas em geral estão mais voltadas para a inovação. Quando descobrem algo bom, isso é comprado pelas grandes, que depois ficam com a fama.

Mas mesmo assim Minnesma é otimista sobre a iniciativa das multinacionais. “É bom que grandes empresas holandesas estejam dando esta mensagem de que a sustentabilidade é importante.”


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