Não diferente de 2011, o ano de 2012 sinaliza boas expectativas para o setor da soja.  Segundo o relatório de Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no período 2010/2011 a produção de soja foi estimada em 75,32 milhões de toneladas, mantendo o ritmo de crescimento das últimas safras.
Este volume é 9,7%, ou 6,64 milhões de toneladas, superior à produção obtida na safra 2009/10, quando foram colhidas 68,69 milhões de toneladas do grão. Em 2011, a colheita rendeu ao Brasil o recorde mundial de produtividade média de soja, com quase 60 sacas de 60 quilos por hectare.
A demanda crescente dos últimos anos afirma a resistência da soja até às crises mundiais. O preço e a venda do grão estão ligados à demanda do óleo. A China, principal importador, sinaliza uma maior abertura de mercado para a compra do grão, que deve acontecer devido a redução na produção do óleo de palma, concorrente direto da soja no país, e que deve ficar em cerca de 5,5 mil toneladas no próximo ano.
Biodiesel – a soja e o biocombustível em 2012
De acordo com o Sistema de Informações de Movimentação de Produtos (SIMP), o percentual da soja utilizada para a produção do biodiesel apresentou uma redução de 10% no último mês (10/2011). Este número deve-se a diversificação de matérias-primas no setor.
As oscilações do óleo de soja, ocorridas entre janeiro/2010 e outubro/2011, e apontadas no Boletim da ANP, sinalizam a queda do produto como matéria-prima para o biodiesel, mas ainda assim confirmam sua permanência enquanto principal oleaginosa para a produção do biocombustível. Mesmo com o aumento da diversidade de grãos para a produção de biodiesel, fica claro que a soja faz parte de um mercado essencial para produzir o biocombustível. Segundo o Boletim Mensal da ANP de novembro passado, 70% do biodiesel brasileiro têm a soja como matéria-prima.
O número corresponde a uma perspectiva esperada pelo Governo para o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que objetiva minimizar a dependência de uma commoditie. Ao manter-se a atual distribuição soja/demais matérias-primas, o cenário do PNPB torna-se favorável ao aumento da mistura do biodiesel ao diesel fóssil, pois o Programa passa a não depender da soja para a composição da oferta do biodiesel.
Algumas oleaginosas como girassol, canola, mamona, óleo-de-palma e algodão também merecem destaque como matérias-primas para a produção de biodiesel. O óleo de algodão, por exemplo, fechou o mês de outubro passado com a expressiva fatia de 6,34% da produção total do biocombustível.
Em 2010, o Brasil foi o segundo maior produtor global de biodiesel e em 2011, até o mês de setembro, a produção das usinas nacionais já havia atingido 1,7 bilhão de litros, um crescimento de 9% sobre o mesmo período do ano passado.

print