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Entre os primeiros 11 meses de 2010 e 2011, as importações brasileiras de petróleo bruto aumentaram, em valor, 41,18%; as de óleos combustíveis, 46,73%; e as de naftas, 34,21%; diminuindo o saldo positivo da balança comercial brasileira. Isso vai continuar, admite o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, pois em 2012 será preciso importar mais gasolina e óleo diesel.

No ano passado, o Brasil adquiriu no exterior, em média, 9 mil barris de gasolina por dia, mas neste ano, até novembro, a média foi de 45 mil barris/dia, e o ano deverá terminar com a média de 47 mil barris/dia. De 2010 para 2011, a demanda interna de gasolina cresceu 23,2%.

Com políticas de produção e investimento mais eficientes, o Brasil não precisaria depender tanto das importações do bruto e derivados. Neste ano, por exemplo, a produção de petróleo no País foi da ordem de 2 milhões de barris, inferior, portanto, aos 2,1 milhões de barris previstos no planejamento da Petrobrás. As expectativas para 2012 são melhores, mas, como admitiu outro diretor da estatal, Guilherme Estrella, “a indústria petrolífera mundial está sujeita a indefinições, imprecisões”.

O crescimento das importações de gasolina, neste ano – que se deve à combinação de vários fatores, a começar pelo aumento do consumo -, foi considerado “extraordinário” pela Petrobrás. De fato, com os problemas na safra de cana-de-açúcar, o álcool perdeu competitividade e ficou mais barato encher o tanque com gasolina. Mas o governo poderia ter agido com vistas a atenuar os problemas, por exemplo, mediante a criação, há muito, de uma política de estoques reguladores de álcool.

Houve, além disso, atraso nos programas de investimento da Petrobrás. O aumento da oferta de gasolina no mercado interno depende da conclusão do programa de novas refinarias. A Refinaria Abreu e Lima, com capacidade de processar 230 mil barris/dia, só deverá estar concluída em 2012, com atraso de um ano, admitido desde 2009 pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

O crescimento da importação tem que ver, ainda, com a política de preços dos derivados fixada pelo governo federal, que prefere reduzir a carga tributária que incide sobre os combustíveis a permitir maiores oscilações de preços nas bombas.

Graças às descobertas de petróleo, o Brasil teria perfeitas condições de depender menos de importações, mostrando que a autossuficiência proclamada em 2006 era mais do que peça de propaganda política.