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Cerca de 70 pessoas participaram, nesta quarta-feira (14), do Encontro sobre Metabolômica, promovido pela Embrapa Agroenergia, em Brasília (DF). A metabolômica é uma tecnologia que oferece resultados únicos para a caracterização fisiológica de organismos, podendo ser usada, por exemplo, em trabalhos de melhoramento genético, diagnóstico de doenças, acompanhamento de processos e reações químicas, etc. Apesar de seu potencial de aplicação, ainda são poucos os grupos trabalhando com a técnica, tanto no Brasil quanto no exterior.

Durante o evento foram ministradas oito palestras, por especialistas no tema que atuam em instituições brasileiras e estrangeiras. Para a palestrante Gabriela Cezar, da Stemina Biomarker Discovey (Estados Unidos), o encontro “é uma oportunidade extraordinária de trazer a metabolômica, que é a mais jovem das ciências ômicas, para o Brasil”. Ela diz que o método utiliza química analítica de última geração e é extremamente sensível, o que permite aos pesquisadores detectar moléculas em escala nanométrica. “Qualquer que seja o caractere produtivo que se busca, os biomarcadores obtidos por meio da metabolômica estão mais próximos do fenótipo do que biomarcadores que se obtém, por exemplo, por expressão gênica”.

Silas Villas-Bôas, da Universidade de Auckland (Nova Zelândia), conta que o estudo dos metabólitos já era utilizado pela Química antes do surgimento da metabolômica. A nova metodologia, contudo, permite que se identifique um número muito maior de metabólitos, o que facilita as descobertas. “Tenho vindo ao Brasil e ministrado palestras, tentando motivar os cientistas a utilizar a metabolômica”, conta. Ao ver o número de pessoas presentes ao encontro promovido pela Embrapa Agroenergia, pensou: “a metabolômica chegou ao Brasil”. Na opinião de Villas-Bôas, o próximo passo para a consolidação dessa metodologia no Brasil seria a criação de uma sociedade cientifica.

O também palestrante Rodrigo Catharino, da Universidade de Campinas (Unicamp), afirma que “a metabolômica pode ser a chave de acesso às soluções para vários problemas”, tais como o melhoramento de processos produtivos. Na opinião dele, a metodologia pode ser utilizada em diversas áreas, já que une a ciência básica e a ciência aplicada.

Além desses três especialistas, o encontro também contou com palestras de Adriano Nunes-Nesi, da Universidade Federal de Viçosa (UFV); Amadeu Iglesias, da Waters Brasil; Carlos Labate, da Universidade de São Paulo; Michael Easterling, da Bruker (Estados Unidos); e Reinado Almeida, da Advion BioSciences.

Na opinião de Patrícia Abdelnur, uma das pesquisadoras da Embrapa Agroenergia que organizou o encontro, as discussões mostraram que a metabolômica é uma área muito complexa e que o Brasil precisará unir esforços se quiser obter sucesso com ela. Segundo Patrícia, o grande desafio é desenvolver o setor de bioinformática para processar a grande quantidade de dados que essa tecnologia pode gerar.