O pinhão-manso (Jatropha curcas L) está sendo encarado como cultura potencial para produção de biodiesel e bioquerosene em diversos países da América Latina. “O estágio das pesquisas e dos projetos de implantação da cultura em alguns países, como Colômbia, México, Argentina, Venezuela é idêntico ao do Brasil” concluiu Bruno Laviola, pesquisador da Embrapa Agroenergia (Brasília-DF), após participar do Seminário Internacional “Jatropha Colômbia“, realizado nos dias 19 e 20 de outubro e do primeiro workshop internacional sobre Assincronia Floral-Jatropha, em 21 de outubro, ambos em Villavicencio, Colômbia. “Talvez a grande diferença esteja na maior variabilidade genética que existe no México e em países da América Central, que possibilita a obtenção de variedades mais produtivas e com características energéticas específicas, em menor tempo”, ressaltou o pesquisador.

O seminário de dois dias foi direcionado para pesquisadores na área de agronomia e melhoramento genético de Jatropha e formuladores de políticas na área da produção de biocombustíveis. No terceiro dia  foram abordados os caminhos de pesquisa alternativa para superar a limitação da assincronia floral, um dos principais entraves para a produção comercial de pinhão manso. Nesse aspecto, foram sugeridas estratégias relacionadas ao manejo, imposição de stress e uso de reguladores de crescimento.

Durante o seminário internacional representantes de países da América  (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Peru e Venezuela) apresentaram palestras e compartilharam experiências relacionadas à reprodução, ao manejo e ao domínio agronômico, aos avanços em conhecimentos  genéticos, tecnológicos e agroindustriais em Jatropha. Trabalho totalmente diferente foi apresentado pelo representante da Universidade da Florida, que mostrou os resultados do experimento, realizado em conjunto com a NASA, de germinação de pinhão-manso em ambiente de microgravidade. 

Laviola fez uma apresentação sobre o programa de pesquisa no Brasil com pinhão-manso, tendo abordado os principais avanços do projeto “Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Pinhão-Manso para Produção de Biodiesel” (BRJATROPHA), que é coordenado pela Embrapa Agroenergia e financiado, parcialmente, pela FINEP.  “Além de divulgar as pesquisas realizadas no Brasil, o seminário foi importante para promover o intercâmbio de conhecimento entre os pesquisadores de diversos países que trabalham com Jatropha”, comentou Laviola.

Apesar de reconhecer que os diversos países têm programas de pesquisa em pinhão-manso com estágios semelhantes de desenvolvimento, Laviola ressalta que o programa brasileiro é o de maior intensidade, pois abrange as diversas regiões do país e tem um número muito expressivo de experimentos.  “Essa abrangência e diversidade poderá ser conhecida no II Congresso Brasileiro de Pesquisa de Pinhão-manso (II CBPPM), que ocorrerá em Brasília em 29 e 30 de novembro” concluiu o pesquisador.

 O II CBPPM é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela Embrapa Agroenergia e pela Associação Brasileira de Produtores de Pinhão-manso (ABPPM). O tema geral do Congresso é “Pinhão-manso: focando em soluções sustentáveis para produção de biocombustíveis” e as informações sobre o evento estão disponíveis na webpage www.cbppm.com.br.

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