Nos próximo 30 anos, os óleos vegetais vão desempenhar um papel importante na disponibilidade de energia alimentar em países em desenvolvimento, como também haverá um aumento na procura para produção de combustível biodiesel, particularmente do girassol. Essa foi a conclusão do especialista argentino Carlos Feoli que apresentou um panorama do girassol no mundo durante a 19ª Reunião Nacional de Pesquisa de Girassol e 7º Simpósio Nacional sobre a Cultura do Girassol, que aconteceu em Aracaju (SE), e terminou dia 27 de outubro.

Carlos Feoli, presidente da Associação Mundial do Girassol, relatou que os óleos de sementes de colza e girassol são “relativamente” caros pela sua qualidade e estão orientados aos setores de média e alta renda nos países desenvolvidos ou aqueles que estão sendo desenvolvidos rapidamente.

Como alimento, o óleo de girassol é saudável ao coração, utilizável para fritura industrial propiciando saúde e funcionalidade para a indústria de alimentos. Sendo sua hidrogenação menor, há menos presença de ácidos “trans” nas margarinas além de ter baixo conteúdo de saturados (menos que 3%).

Assim, Carlos Feoli destacou algumas fortalezas para o cultivo de girassol  como também as oportunidades, debilidades e ameaças.

Quanto às fortalezas, ele enumera que é um cultivo conhecido pelo produtor, há um banco de germoplasma  (variedades para pesquisa e desenvolvimento) disponível de alta produtividade. Alem de haver novas tecnologias de cultivo além de ser estratégico para certos ambientes, além de permitir rotação de culturas.

Vale destacar a recente e bem sucedida implantação do girassol no semi-árido nordestino, na região de Carira, em Sergipe, onde a produtividade do cultivo do girassol na região chega a superar as regiões produtoras do Brasil graças às pesquisas desenvolvidas pela Embrapa e a presença da Petrobrás que, através de convênio com as cooperativas de produtores, fornece sementes, assistência técnica e compra garantida.

“O girassol se destaca pela sua capacidade em tolerar períodos de seca”, disse o  pesquisador  da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Ivênio Rubens de Oliveira. “O girassol, testado e plantado em larga escala na região de Carira, necessita de pouca água durante os primeiros trinta dias após a semeadura. O seu sistema de raízes que vai buscar água em partes mais profundas do solo”, complementa.

Segundo Ivênio “A região produz cerca de dois mil quilos de grãos de girassol por hectare, em média, superando a média nacional que está em torno de 1500 quilos. Na região do agreste sergipano, essas cultivares podem chegar a produzir três mil quilos por hectare se cultivadas em sistema de produção apropriado.

Carlos Feoli destaca ainda as oportunidades que o girassol propicia quanto ao potencial incremento da demanda do óleo e aos diferenciados  subprodutos .

Quanto as debilidades no cultivo do girassol,  Feoli ressalta a histórica falta de investimento em pesquisa como também a baixa competitividade do cultivo e a baixa adoção da tecnologia em algumas regiões.

No que diz respeito às ameaças inerentes à produção do girassol, ele aborda a Rússia e a Ucrânia que acrescentam competitividade  a produção e também à alta competitividade dos cultivos alternativos.

No entanto, há fatores que favorecem o crescimento na produção dos cultivos oleaginosos em escala mundial como o crescimento da demanda nos países em desenvolvimento lembrando que a China e a Índia capitalizam a maior parte da demanda.

Biocombustível
Além das qualidades do girassol como alimento, essa oleaginosa tem demonstrado boa aptidão para a produção de biocombustível. A projeção do cenário daqui a 10 anos, indica que o crescimento do consumo global de óleo diesel será  2,5% anual cumulativa, ou seja, de 1.526 milhões de toneladas anuais

A procura mundial de biodiesel, será de 59 milhões de toneladas anuais e vai exigir o crescimento da produção mundial de óleos na ordem do  5% anual cumulativo. “O crescimento médio no consumo mundial de óleos vegetais para usos tradicionais tem sido 3% anuais cumulativa”, disse Feoli.

Ele conclui que a demanda de biocombustíveis é de magnitude superior ao crescimento clássico, ao crescimento vegetativo e outros fatores e que responde à vontade política dos grandes consumidores de energia.

Além da evolução da demanda, há também a evolução dos direitos de importação e exportação e das barreiras tarifarias ou paratarifárias, segurança jurídica fiscal nos principais países produtores além da evolução dos subsídios e outras despesas tributárias como também o padrão de qualidade.

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