Mesmo já tendo alcançado números expressivos e com a expectativa de ter, em 2011, uma produção de, aproximadamente, 2,5 bilhões de litros, a indústria brasileira de biodiesel almeja voos mais altos. Para que isso ocorra, o presidente executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Odacir Klein, adianta que os empreendedores discutirão com os dirigentes do governo federal uma mudança no marco regulatório do segmento.

 

Em 2008, quando a obrigatoriedade de adição de biodiesel na fórmula do óleo diesel era de apenas 2%, o uso do biocombustível evitou a importação de 1,1 bilhão de litros de diesel de petróleo. E, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), isso resultou em uma economia de cerca de US$ 976 milhões, gerando divisas para o País.

 

Klein salienta que uma prova de que a iniciativa vem sendo bem sucedida no País é o fato de que a mistura de 5%, originalmente prevista para ocorrer em 2013, foi adiantada para o ano de 2010. “Porém, há capacidade ociosa de produção e mais plantas são construídas”, salienta o dirigente. O presidente executivo da Ubrabio informa que a capacidade instalada de biodiesel no Brasil hoje é de aproximadamente 5,6 bilhões de litros. Por isso, ele considera fundamental rever o marco regulatório do setor. Klein esclarece que não se trata apenas de defender um aumento casual da adição do biodiesel na fórmula do óleo diesel, mas estabelecer um mercado que permita o equilíbrio entre oferta e demanda.

 

Ele ressalta que, por a presidente Dilma Rousseff estar familiarizada com o tema, deve facilitar os debates sobre o assunto. O diretor-superintendente da BSBIOS, Erasmo Carlos Battistella, concorda com Klein no sentido de que um novo marco regulatório deva ser implementado. “É algo razoável, pertinente e necessário”, diz o executivo. Battistella acredita ser possível aumentar gradativamente a obrigatoriedade do biodiesel, chegando em 2014 com 10% de adição. O dirigente lembra que o uso do biodiesel, além dos benefícios para a economia, implica reflexos ambientais, com a redução de emissões, sendo um combustível renovável.


Investimentos no setor podem alcançar até R$ 7,36 bilhões em dez anos

De acordo com estudo realizado pela FGV Projetos, unidade de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apoiado pela Ubrabio, o mercado brasileiro de biodiesel gerou investimentos de cerca de R$ 4 bilhões aportados entre 2005 e 2010. Ainda segundo o levantamento, a expectativa é de que a adição de biodiesel chegue a 20% em 2020.

 

Para atender a este mercado, os investimentos em incremento de capacidade de produção de biodiesel devem somar R$ 7,36 bilhões nos próximos dez anos. Com isso, a capacidade produtiva do setor deve alcançar algo em torno de 14,3 bilhões de litros até 2020.

 

Quanto às matérias-primas, o presidente executivo da Ubrabio, Odacir Klein, prevê que a soja será a principal base do biodiesel nos próximos anos. No entanto, ele argumenta que o aumento de escalas de algumas culturas de oleaginosas, como a palma, no Pará, e a canola, no Rio Grande do Sul, pode contribuir para uma diversificação dos insumos utilizados. Klein comenta ainda que experiências da Petrobras Biocombustíveis podem contribuir para acelerar o uso de novas oleaginosas na produção de biodiesel.

 

Fonte: Sul21

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