Em entrevista ao programa Energia Agro, o presidente Ubrabio e diretor da Granol, Juan Diego Ferrés, faz um balanço histórico, político e estratégico do biodiesel no Brasil
O Brasil não pode ignorar os sinais da crise climática, nem desperdiçar os ativos estratégicos que possui para liderar a transição energética global. É com esse tom que Juan Diego Ferrés, presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), abordou a evolução e o futuro do biodiesel no país durante entrevista ao Energia Agro, exibido pelo canal AgroMais. Referência no setor, Ferrés destacou a importância do alinhamento político para viabilizar o B15 – a mistura de 15% de biodiesel ao diesel fóssil – e reforçou que o Brasil precisa aumentar essa proporção rumo ao B25 para ampliar sua soberania energética e protagonismo climático.
Segundo Ferrés, o aumento da mistura foi possível graças a uma combinação de fatores políticos e geopolíticos, mas, acima de tudo, pela mobilização técnica e institucional do setor. “Houve divergências internas no governo, mas prevaleceu a liderança do presidente Lula e do ministro, que entenderam que essa era a decisão certa para o país”, disse. Ele ainda frisou que, em um cenário de guerra e instabilidade global, o Brasil ganha com a alta do petróleo, mas deve usá-lo com parcimônia e ampliar urgentemente o uso de fontes renováveis.
Na visão do especialista, os biocombustíveis não apenas reduzem emissões, mas também fortalecem a produção de proteínas no país e ajudam a combater a desinformação de que biodiesel concorre com alimentos. “É o contrário. A produção de biodiesel potencializa a oferta de proteína, reduz custo, evita o desperdício de matéria-prima e gera riqueza. Alimenta o Brasil e o mundo”, afirmou. Para ele, a COP30, que será realizada em Belém, é a grande oportunidade para o Brasil mostrar ao planeta seu modelo energético limpo e sustentável, com base em ciência e inovação.
Ferrés também defendeu que a COP seja um evento “movido a biocombustíveis”, como exemplo prático da viabilidade das soluções brasileiras. E deixou um recado claro: “O Brasil deve liderar uma frente global de países comprometidos com a verdade científica, com a redução de petróleo e com o uso inteligente de suas riquezas naturais”. Na entrevista, ele ainda antecipou seu próximo grande projeto: um plano de desenvolvimento sustentável para o Nordeste, que pode reposicionar a região como um dos motores do futuro verde do país.
Encerrando a entrevista com otimismo e senso de missão, Juan Diego Ferrés reafirmou que o Brasil está no caminho certo com o etanol e o biodiesel. “Nós temos o conhecimento, a tecnologia e o compromisso. O mundo precisa disso. E nós, brasileiros, temos o dever de entregar”.