Supersafra brasileira, estoques elevados e melhora na safra argentina pressionam o balanço global, enquanto valorização do óleo e dinâmica do mercado energético sustentam os preços no curto prazo
O mercado global de soja mantém viés altista no curto e médio prazo, mesmo diante de um cenário de ampla oferta. A avaliação consta no Relatório de Inteligência de Mercado da Soja, divulgado pela MerX, que destaca a combinação entre fatores macroeconômicos, geopolíticos e a dinâmica do complexo soja como elementos de sustentação dos preços.
Entre os principais vetores de suporte está o desempenho do óleo de soja, que apresentou valorização próxima de 30% desde o início do ano, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela correlação com o mercado de biodiesel. Esse movimento ocorre em um contexto de alta expressiva do petróleo Brent e aumento dos custos logísticos, fatores que vêm influenciando diretamente a formação de preços no mercado global.
No campo dos fundamentos, entretanto, o cenário segue pressionado pela elevada disponibilidade de soja. Nos Estados Unidos, os estoques “on farm” atingiram 136,2 milhões de toneladas, mais que o dobro do registrado no ano anterior, refletindo a menor participação da China nas compras, mesmo com o esmagamento doméstico operando em níveis recordes.
No Brasil, a safra recorde caminha para confirmação, com produtividades elevadas na maior parte das regiões produtoras. Ainda assim, o mercado segue atento à qualidade dos grãos, impactada pelo excesso de chuvas durante a colheita. Estima-se que cerca de 9% da produção — aproximadamente 16 milhões de toneladas — apresente algum nível de comprometimento qualitativo. A colheita já alcança 74,3% da área, ainda abaixo do ritmo observado no ano anterior, refletindo as dificuldades operacionais impostas pelas condições climáticas.
Na Argentina, o cenário produtivo apresentou melhora após a ocorrência recente de chuvas mais abrangentes. As condições das lavouras evoluíram, com aumento das áreas classificadas como adequadas a ótimas e manutenção da estimativa de produção em 48,5 milhões de toneladas, com risco considerado baixo no curto prazo.
Além dos fatores de oferta e demanda, o relatório chama atenção para a elevação dos custos de produção. No Brasil, o preço do diesel subiu cerca de 25%, enquanto fertilizantes fosfatados e nitrogenados registraram alta próxima de 60% desde o início do conflito no Oriente Médio. Esse cenário deve pressionar o custo de equilíbrio da próxima safra, com estimativas de aumento entre R$ 30 e R$ 40 por saca no Mato Grosso.
No mercado físico, a supersafra brasileira segue pressionando o basis, ao mesmo tempo em que fatores externos sustentam os contratos futuros em Chicago. O ritmo de comercialização permanece mais lento, influenciado pela volatilidade cambial e pela incerteza quanto à tendência de preços.
De forma geral, a análise indica que o mercado de soja permanece em um ambiente de equilíbrio entre oferta elevada e suporte vindo de fatores externos, com destaque para a dinâmica do óleo de soja e sua relação com o mercado de biodiesel, que seguem influenciando diretamente a formação de preços no curto prazo.
Sobre a MerX
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