A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO) acompanha com atenção as medidas adotadas pelo governo federal para mitigar os efeitos da recente escalada internacional do petróleo sobre o preço do diesel no Brasil. Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e incertezas no abastecimento de combustíveis, é compreensível que o país busque instrumentos emergenciais para proteger a economia e os setores produtivos.

No entanto, é importante reconhecer que políticas voltadas exclusivamente à redução de preços não necessariamente ampliam a oferta de combustível. Diante das tensões no mercado internacional de petróleo, cresce o risco de restrições no fornecimento global de diesel e o setor de biodiesel está pronto para colaborar para reduzir essa exposição.

Nesse contexto, o biodiesel brasileiro se apresenta como parte relevante da solução. O setor possui capacidade industrial instalada e autorizada para produzir cerca de 16 bilhões de litros por ano, embora em 2025 tenha produzido aproximadamente 10 bilhões de litros. Isso significa que a indústria opera atualmente com cerca de 40% de ociosidade, o que permite ampliar rapidamente a produção e atender a níveis de mistura superiores ao atual B15, sem necessidade de construção de novas usinas.

Além de contribuir para a redução da dependência externa que o Brasil possui de diesel de cerca de 30%, ampliar a produção e uso do biodiesel significa impulsionar a oferta de farelo de soja utilizado na nutrição animal reduzindo o preço de carnes ao consumidor final. Essa ação é estratégica na medida em que combina segurança energética e alimentar e ainda dinamiza a agroindústria nacional com inclusão produtiva da agricultura familiar, além de reduzir significativamente a emissão de gases de efeito estufa e diversos poluentes nocivos à saúde presentes no diesel de petróleo.

O país já definiu, por determinação do Presidente Lula, a construção de um Mapa do Caminho para a transição energética, que deverá orientar uma política de médio e longo prazo para a substituição gradual de combustíveis fósseis por alternativas renováveis. Nesse processo, o biodiesel tem papel central.

Diversos países já avançam na ampliação do uso de biocombustíveis como estratégia de segurança energética. A Indonésia utiliza a mistura B40 e caminha para implantar o B50, enquanto vários estados norte-americanos utilizam níveis acima de B20. Como um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, o Brasil tem condições de liderar esse processo.

Neste momento de incertezas, entendemos como crucial a imediata convocação de reunião da Mesa de Abastecimento, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, em caráter emergencial, para avaliar estoques atuais e projeções da capacidade de fornecimento de diesel e biodiesel, envolvendo os setores de produção, distribuição e revenda, bem como os respectivos agentes públicos.

A UBRABIO reafirma sua disposição de manter diálogo permanente com o governo federal, com a indústria automotiva e com toda a sociedade para contribuir com soluções que fortaleçam a segurança energética, a competitividade da economia e a transição para uma matriz de combustíveis cada vez mais sustentável para o Brasil.