Na briga entre o ministro Guido Mantega e o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr, o primeiro tem razão. Nogueira se absteve na votação em que o Fundo liberou mais recursos para a Grécia. Depois, o ministro Mantega o desautorizou e telefonou para a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, para dizer que o país era, sim, favorável.

Paulo Nogueira é representante do Brasil e de um grupo de países e deve falar em nome deles no Fundo, não o que pensa sobre determinado assunto.

Como disse o ministro Guido Mantega, todo dia tem votação no FMI, e o representante do Brasil não tem que ficar ligando toda hora para o ministro da Fazenda perguntando o que ele acha. Mas nesse caso específico, tinha que ter feito isso. Mas Paulo Nogueira se absteve de apoiar a liberação de mais recursos para a Grécia e depois soltou uma nota.

Ele disse também que acha que o Fundo é muito condescendente com os países da Europa e não foi igualmente condescendente com o Brasil e os países da América Latina durante a nossa crise. Ele está cobrando briga velha? O próprio FMI já mudou o tratamento e reconheceu que a radicalização daquela época levava os países ao colapso; o Fundo alterou sua forma de pensar.

Há vários pontos errados no comportamento do economista Paulo Nogueira Batista. Primeiro, faz uma comparação de períodos históricos totalmente diferentes, cobrando uma conta que o Brasil não quer cobrar. Além disso, o cargo no FMI não é dele, mas uma representação de países.

Uma vez, ele demitiu uma diretora-adjunta, colombiana, e acabou criando um problema entre Brasil e Colômbia. Portanto, essa não foi a primeira polêmica que criou. E ela sempre tem a mesma origem: ele se comporta como se o cargo fosse dele e não um cargo que tem por delegação dos países, principalmente do Brasil, que tem participação maior na representação.

Ouçam aqui o comentário feito na CBN


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