Em março de 2003, em evento promovido no Hotel JP em Ribeirão Preto pelo BrasilAgro em parceria com a Facioli Consultores Associados, pela primeira vez se falou publicamente em biodiesel no Brasil, graças a uma apresentação feita pelo prof. Miguel Dabdoub, da USP.

Poucas semanas depois, o BrasilAgro ajudou a promover o 1º Congresso Internacional do Biodiesel, também em Ribeirão Preto, que reuniu centenas de profissionais, muitos dos quais vindos de outros países e que foi prestigiado pelo então ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

As conclusões deste encontro foram levados à Brasília por solicitação do então ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, e serviu de base para que em dezembro de 2004 o presidente Lula anunciasse formalmente o Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.

Em 2005, no Anhembi em São Paulo, em evento promovido em parceria pelo BrasilAgro e pela Alcantara Machado, durante a Feira Internacional do Setor Sucroenergético – Feisucro, foi realizado o 2º Congresso Internacional do Biodiesel e as primeiras dissidências acadêmicas surgiram.

Isto porque, militantes radicais do PT instalados no Ministério do Desenvolvimento Agrário, com recursos e apoio ‘estratégico’ da Petrobras, imaginavam que a matéria-prima ideal para a produção deste novo biocombustível seria a mamona.

Centenas de milhões de reais foram torrados em campanhas e projetos de capacitação profissional, ao mesmo tempo em que pesquisadores sérios já divulgavam o resultado dos seus trabalhos concluindo que a mamona não poderia ser usada como matéria-prima. Primeiro, porque o custo do seu óleo não daria competitividade frente a outros óleos. E, para piorar a situação, a própria ANP (Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural) não contemplava o biodiesel de mamona por não se enquadrar nas suas normas técnicas.

Produtores e investidores partiram para o uso da soja abrindo novo e promissor mercado para o grão. Em 2007, em discurso na ONU, Lula defendeu o biodiesel em memorável discurso na ONU anunciando que este biocombustível promoveria uma “verdadeira revolução na geração de empregos”.

Recentemente os produtores de biodiesel mostraram competência e articulação ao anunciarem a criação da Frente Parlamentar do Biodiesel e da redação do marco regulatório. Para se ter uma ideia da importância das iniciativas, até hoje os produtores de etanol não chegaram a este estágio, o que é apontado por muitos, como o principal fundamento para se criar um ambiente que favoreça a volta dos investimentos no setor sucroenergético.

Agora, pasmem os amigos leitores, Dilma & Cia., a exemplo do que tem feito com o setor do etanol e da bioeletricidade, simplesmente mandou engavetar o tal do marco regulatório e virou as costas para a Frente Parlamentar que a denuncia de preferir importar diesel poluente a substituí-lo por um combustível limpo, renovável, que gera emprego e renda em território brasileiro. Pode isto?

Já não estaria na hora dos produtores de biodiesel, etanol e bioeletricidade se articularem prá botar a boca no trombone? Até quando assistiremos impávidos os desmandos que têm sido cometidos e que prejudicam programas econômicos inovadores como o dos biocombustíveis e da bioeletricidade?

Com efeito, Maurilio Biagi, o pai, deve estar incomodado com o anúncio da venda de uma das joias empresariais que criou, a fábrica da Coca-Cola Ipiranga, com sede em Ribeirão Preto. A empresa, que foi a terceira franquia do sistema Coca-Cola no país (depois do Rio de Janeiro e São Paulo) acaba de ser vendida para um grupo chileno. Pois é…(Ronaldo Knack é presidente do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)


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