No Brasil se desperdiça o que poderia virar energia

11/05/2017 - 10:57

Sobre a destinação de carcaças no Brasil avaliamos que é preciso avançar quanto a legislação e ao mesmo tempo aumentar a fiscalização com relação ao destino desse material. Não podemos, num país como o Brasil, ter um desperdício tão grande de uma matéria-prima que pode ser transformada em energia. Os animais mortos, por diversos aspectos, tanto sanitários quanto por acidentes ou vítimas de animais peçonhentos, entre outros, nas propriedades rurais não podem ser simplesmente abandonados no campo, ou enterrados, queimados, contaminando as águas, o rebanho e assim por diante. Então, é preciso aprimorar a legislação, permitindo a utilização das carcaças e, ao mesmo tempo, é preciso um processo de educação dos produtores rurais para que deem a destinação correta. Também é necessário aumentar a fiscalização para que essas carcaças utilizadas não venham a integrar fontes de alimentação humana. Nós temos que ter um cuidado muito grande com isso. Portanto a destinação correta seria de fato para produção de biodiesel.

Setor capacitado - O setor de biodiesel nacional, claramente, tem capacidade de absorver a gordura gerada em um eventual sistema de coleta de carcaças animais mortos vindos de granjas. Nós temos até uma projeção de que podemos em 2030 trabalhar com 1.800 mil toneladas de sebo bovino e 400 mil toneladas de carcaça. Então o setor está preparado e tem a necessidade de diversificar sua matriz. O Brasil tem a possibilidade de utilização total dessas carcaças na produção de biodiesel. Consequentemente, isso vai dar ao país uma redução das emissões, porque com o aproveitamento das carcaças, a comparação das emissões de gases de efeito estufa entre o biodiesel e o diesel fóssil vai se distanciar mais ainda. Significa que o aproveitamento das carcaças na produção de biodiesel reduz as emissões também e faz com que o nosso biodiesel seja comparado ao americano, que está entre 80% e 85% de redução de emissões em relação ao diesel fóssil.

Em 2015, cerca de 700 mil toneladas de sebo foram utilizadas na produção de biodiesel e a projeção é de aumentar a utilização desse tipo de matéria-prima. O setor está preparado. Mas é preciso o aumento das misturas de biodiesel no diesel fóssil. A indústria está plenamente preparada para receber óleos e gorduras. A nossa capacidade está ociosa. A demanda por biodiesel deve crescer para que a gente possa ampliar o mercado de óleos e gorduras e isso vai fazer com que exista um aproveitamento maior dessa matéria-prima, agregando valor aos produtos nacionais.

Produção das granjas - Não há restrição pelo setor de biodiesel quando as gorduras são geradas a partir das carcaças de animais que morreram em granjas. A destinação para produção de biodiesel não tem o contato humano. A origem dessas carcaças, se for por um problema sanitário ou algum problema relacionado, não interfere, porque toda matéria-prima do biodiesel vai ser transformada em energia e não terá contato com o elemento humano. Não tem restrição do ponto de vista de saúde pública.

Agricultura familiar - Ao se comprovar que as carcaças de animais mortos foram coletadas em propriedades com cadastro na agricultura familiar, essa gordura animal poderia receber o selo social, porque se comprovada a origem da matéria-prima. O que interessa à indústria é a origem da produção. Agora, se ela vem por meio do abate de animal vivo ou do animal morto por diferentes fatores, isso não influencia. A matéria-prima continua sendo de origem da agricultura familiar.

Potencial - O Brasil tem uma potencialidade muito grande nesse trabalho de recolhimento de carcaças. Precisamos dar celeridade nesse processo, mas de forma que ele seja devidamente acompanhado por um processo de educação sanitária e ambiental para evitarmos outros problemas vindos desse recolhimento de carcaças.

Por Revista Graxaria Brasileira

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